18 de set de 2009

VOCÊ TEM SUA CARTA DE ALFORRIA?

"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda."

(Cecília Meireles)


No Brasil, a escravidão teve início com a produção de açúcar na primeira metade do século XVI. Os portugueses traziam os negros africanos de suas colônias na África para utilizar como mão-de-obra escrava nos engenhos de açúcar do Nordeste. Os comerciantes de escravos portugueses vendiam os africanos como se fossem mercadorias aqui no Brasil. Os mais saudáveis chegavam a valer o dobro daqueles mais fracos ou velhos.

Sobre este tema, é difícil não nos lembrarmos dos capitães-do-mato que perseguiam os negros que haviam fugido no Brasil, dos Palmares, da Guerra de Secessão dos Estados Unidos, da dedicação e idéias defendidas pelos abolicionistas, e de muitos outros fatos ligados a este assunto.

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Gonzaga de Bragança, a Princesa Isabel, nasceu no palácio de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1846. Tornou-se a herdeira do trono brasileiro, após a morte prematura do irmão mais velho.
Filha de D.Pedro II, passou para a história do Brasil como a responsável pela assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888.

Do ponto de vista histórico, ainda persiste entre as massas a concepção de que a assinatura da Princesa Isabel constituiu-se como um ato de libertação dos negros, idéia proliferada pela elite do nosso país ao longo de todos esses anos. Nas escolas, ainda que em alguns momentos apareça o questionamento aos interesses econômicos que se apresentavam no sentido de abolir o trabalho escravo, ainda são escassas as demonstrações de que ao longo de mais de 300 anos os africanos e afro-descendentes organizaram-se de modo a confrontar a escravidão.

Nos dia de hoje, só porque não usamos mais algemas e não levamos chibatadas nas costas, não quer dizer que não somos mais escravos, ou melhor, que a escravidão acabou. Não falo de um caso isolado, onde em alguns lugares ainda exista essas praticas, falo de um modo geral.

Somos escravos do poder e do dinheiro, por míseros trocados muitos se corrompem. Há aqueles que são escravos do sexo, homens e mulheres se vendem. Crianças escravos da fome e da miséria, do vicio, do descaso social começam a se prostituir.

Perdemos o direito de ir e vim, pois somos escravos do medo da violência, dessa criminalidade que nos cerca dia e noite, nos mantendo acuado na incerteza se voltaremos vivos para casa.

Fala-se tanto em democracia, que vivemos em um país democrático, onde se respeitam os direitos de todos, mas somos obrigados a votar e, muitos ainda são obrigados trabalhar de graça nas eleições, o nome escravo nesse caso passou a ser mesário! E ai! De quem não for não levara chibatadas, mas será punido de acordo com a lei.

Maquiaram a escravidão, com a chegada da globalização, a escravidão se modernizou!

Reis, Rainhas e príncipe se deram nome de governantes, os sinhozinhos passaram a serem chamados de empresários, os capitães-do-mato de gerentes, encarregados etc. o escravo de trabalhador e para não dar muito na cara criaram a lei trabalhista onde se dá de um lado e se tira do outro.

Não se esquecendo de falar no mercado negro onde a sociedade também é escravo dos reis dos tráficos, seja ele de droga, órgão, mulheres, criança e assim por diante.

A miséria existe, a fome, a falta de informação, cultura, educação, cidadania. Somos escravos da impunidade, da indecência e da imoralidade com que nosso país é governado.

O desemprego cresce, o pai de família se sujeita a ganhar seus míseros salários muitas vezes sendo obrigado a passar por determinadas humilhações, tudo para não deixar faltar o alimento a sua família. O que é isso se não for escravidão?

Certa vez eu li no jornal local da cidade onde moro, um depoimento de uma mãe que tinha perdido seu filho de forma violenta por traficantes, em seu depoimento de dor com o atestado de óbito na mão ela dizia: “aqui está à carta de alforria do meu filho, foi preciso ele morrer para ser livre do vicio e dessa violência que aflige toda sociedade”

Algo precisa ser feito para que essa “corrente” degradante presente na vida daquele que buscam uma vida melhor sejam rompidas, ai sim poderemos dizer que somos livres e que vivemos realmente em um país democrático, onde somos tratados com igualdade e respeito.

Aguardo uma nova e verdadeira data, para que todos os cidadãos brasileiros possam realmente receber suas cartas de alforria e juntos poder dizer:

“Somos brasileiro, livre com muito orgulho e com muito amor”


"A perfeição da própria conduta consiste em manter cada um a sua dignidade sem prejudicar a liberdade alheia."

(Voltaire)


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18 de set de 2009

VOCÊ TEM SUA CARTA DE ALFORRIA?

"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda."

(Cecília Meireles)


No Brasil, a escravidão teve início com a produção de açúcar na primeira metade do século XVI. Os portugueses traziam os negros africanos de suas colônias na África para utilizar como mão-de-obra escrava nos engenhos de açúcar do Nordeste. Os comerciantes de escravos portugueses vendiam os africanos como se fossem mercadorias aqui no Brasil. Os mais saudáveis chegavam a valer o dobro daqueles mais fracos ou velhos.

Sobre este tema, é difícil não nos lembrarmos dos capitães-do-mato que perseguiam os negros que haviam fugido no Brasil, dos Palmares, da Guerra de Secessão dos Estados Unidos, da dedicação e idéias defendidas pelos abolicionistas, e de muitos outros fatos ligados a este assunto.

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Gonzaga de Bragança, a Princesa Isabel, nasceu no palácio de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1846. Tornou-se a herdeira do trono brasileiro, após a morte prematura do irmão mais velho.
Filha de D.Pedro II, passou para a história do Brasil como a responsável pela assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888.

Do ponto de vista histórico, ainda persiste entre as massas a concepção de que a assinatura da Princesa Isabel constituiu-se como um ato de libertação dos negros, idéia proliferada pela elite do nosso país ao longo de todos esses anos. Nas escolas, ainda que em alguns momentos apareça o questionamento aos interesses econômicos que se apresentavam no sentido de abolir o trabalho escravo, ainda são escassas as demonstrações de que ao longo de mais de 300 anos os africanos e afro-descendentes organizaram-se de modo a confrontar a escravidão.

Nos dia de hoje, só porque não usamos mais algemas e não levamos chibatadas nas costas, não quer dizer que não somos mais escravos, ou melhor, que a escravidão acabou. Não falo de um caso isolado, onde em alguns lugares ainda exista essas praticas, falo de um modo geral.

Somos escravos do poder e do dinheiro, por míseros trocados muitos se corrompem. Há aqueles que são escravos do sexo, homens e mulheres se vendem. Crianças escravos da fome e da miséria, do vicio, do descaso social começam a se prostituir.

Perdemos o direito de ir e vim, pois somos escravos do medo da violência, dessa criminalidade que nos cerca dia e noite, nos mantendo acuado na incerteza se voltaremos vivos para casa.

Fala-se tanto em democracia, que vivemos em um país democrático, onde se respeitam os direitos de todos, mas somos obrigados a votar e, muitos ainda são obrigados trabalhar de graça nas eleições, o nome escravo nesse caso passou a ser mesário! E ai! De quem não for não levara chibatadas, mas será punido de acordo com a lei.

Maquiaram a escravidão, com a chegada da globalização, a escravidão se modernizou!

Reis, Rainhas e príncipe se deram nome de governantes, os sinhozinhos passaram a serem chamados de empresários, os capitães-do-mato de gerentes, encarregados etc. o escravo de trabalhador e para não dar muito na cara criaram a lei trabalhista onde se dá de um lado e se tira do outro.

Não se esquecendo de falar no mercado negro onde a sociedade também é escravo dos reis dos tráficos, seja ele de droga, órgão, mulheres, criança e assim por diante.

A miséria existe, a fome, a falta de informação, cultura, educação, cidadania. Somos escravos da impunidade, da indecência e da imoralidade com que nosso país é governado.

O desemprego cresce, o pai de família se sujeita a ganhar seus míseros salários muitas vezes sendo obrigado a passar por determinadas humilhações, tudo para não deixar faltar o alimento a sua família. O que é isso se não for escravidão?

Certa vez eu li no jornal local da cidade onde moro, um depoimento de uma mãe que tinha perdido seu filho de forma violenta por traficantes, em seu depoimento de dor com o atestado de óbito na mão ela dizia: “aqui está à carta de alforria do meu filho, foi preciso ele morrer para ser livre do vicio e dessa violência que aflige toda sociedade”

Algo precisa ser feito para que essa “corrente” degradante presente na vida daquele que buscam uma vida melhor sejam rompidas, ai sim poderemos dizer que somos livres e que vivemos realmente em um país democrático, onde somos tratados com igualdade e respeito.

Aguardo uma nova e verdadeira data, para que todos os cidadãos brasileiros possam realmente receber suas cartas de alforria e juntos poder dizer:

“Somos brasileiro, livre com muito orgulho e com muito amor”


"A perfeição da própria conduta consiste em manter cada um a sua dignidade sem prejudicar a liberdade alheia."

(Voltaire)


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