16 de jul de 2010

Zero à esquerda = Zé ninguém


O futuro é a única coisa que o governo nos deixa usar de graça - até que ele chegue.
(Ediel)
Meus pensamentos me povoavam o tempo todo.
Ali estavam varias “Maria” e vários “João” pessoas insatisfeitas, para reclamar ou reivindicar seus direitos, uns com razão outros no desespero de não acreditar que saiam dali sem solucionar o problema. Pessoas humildes, simples, cidadãos empregados outros desempregados inconformados com os valores de suas contas de água, outros estavam tentando um acordo para parcelamento, eram varias as reclamações.
O ambiente pequeno estava cheio, não havia mais lugares para sentar. Gestante, idosos, “Maria” e “João” eram sós mais uns dos milhões de brasileiros que estavam ali tentando viver dignamente ou serem tratados como pessoas de bem.
Cada vez mais aquele espaço pequeno ficava apertado pra tanta gente, no rosto de cada uma delas eu via a marca do sofrimento e a esperança de uma solução. Vez ou outra uma puxavam assunto comigo e logo todos conversavam entre si, falavam de suas vidas de suas historias e o motivo delas estarem naquele lugar. Em quanto esperava se lamentavam e assim as horas iam passando.
A demora no atendimento me fez ficar horas em pé, com fome, cansada e impaciente com o calor infernal que fazia lá dentro. Eu era apenas mais uma entre tantos, com sonhos, esperança, uma historia pra contar e um problema a ser resolvido.
Uma discussão se forma. Uma senhora discutiu com um dos atendentes, no rosto dela vejo a indignação, no rosto dele o desdenho. A minha frente uma senhora desmaia devido o calor, ou seria fome, cansaço... Não sei. O tumulto se forma, fico estarrecida, estática, inconformada com a situação.
Como é difícil sobreviver com baixa renda, como é árdua a luta de um pai de família para poder garantir o sustento de sua família e o bem estar dela pagando suas contas em dia: água, luz, telefone, aluguel...
"Muitas vidas se alimentam de dor, a fome e desemprego humilham a todos, o povo pobre vive sem socorro e o que se vê e se nota é o desdenho do poder."
Pessoas morrem nas filas dos hospitais por falta de atendimento, outras moram em situações precárias, o salário mínimo mal dá para sobreviver. E quem não tem salário? Esses vivem à custa de esmolas que o governo oferece como a Bolsa família, Vale gás, Leve leite, etc. e ainda acham que está fazendo muito pelo povo.
O que o povo quer e o que o povo precisa é de emprego, moradia, de salário justo para manter a família com dignidade, no mínimo dignidade e no máximo seria em igualdade social para todos. Somos tratados como uns indigentes, uns vermes ou pobres coitados.
Aquela mulher que discutia com o atendente só queria que fossem de imediato ou sem muita espera religarem a água que havia sido cortada por falta de pagamento, pois diante sua situação ela foi obrigada a não pagar as contas e usou todo dinheiro para comprar medicamentos para seu filho que tem um câncer e com ajuda de vizinhos conseguiu  levantar o dinheiro colocando em dia as contas de água atrasadas, sendo assim ela estava ali para solicitar a ligação, mas só depois de 48 horas seria feito.
Impotente, vitima da hierarquia de um sistema falho e impreciso, humilhada por suas dificuldades, aquela senhora saiu aos prantos e inconformada. Desarmados na luta pela sobrevivência, acabamos nos expondo. Em um país que se diz democrático, nos deparamos diante as tantas burocracia.
Brasil país da copa de 2014!? É isso mesmo! Milhões serão gastos, enquanto isto o povo vive na “merda”.
Que importância tem para o brasileiro que mal consegue colocar comida na mesa ver seu país sediar uma copa, gastando milhões que poderia ser revertido em prol dele?

Que importância tem para aquela mulher que não pagou as contas para comprar remédios para seu filho doente de câncer, remédios estes que custam caros e não é dado pelo governo, ver seu país sediar uma copa do mundo?Vão comemorar o que?
Qual a importância que temos para o governo? É só observar a saúde publica a educação, e outras coisas mais que nos é oferecido, que vamos obter a resposta.
Esboço um sorriso indignado, quando vejo uma propaganda do governo ou algo semelhante em que no final há sempre aquela famosa frase “Orgulho de ser brasileiro”. Orgulho? Orgulho de quê? Quem se orgulha são eles, pois estão com suas contas bancarias recheado com seus gordos salários pago pelo dinheiro publico. Enquanto eles andam em seus carros importados blindados, nos sobra o transporte publico a maioria em situações precárias e em algumas cidades o preço da passagem chega a ser exorbitante. Enquanto eles frequentam os melhores restaurantes, come das melhores iguarias culinárias, o pobre coitado revira o lixão em busca de alimento.
Quem se orgulha de ser brasileiro, vendo todo dia na TV o descaso social? O orgulho de ser brasileiro é meu é seu ou é nosso? É deles! São eles que comem caviar e tomam champanhe em quanto ri da nossa cara. Enquanto vivem luxuosamente dão esmola ao povo com estes auxilio que eles chamam de programa do governo.
Quantos brasileiros se encontram na mesma situação que a minha naquele momento, naquele ambiente cheio, com vontade de gritar minha indignação, minha revolta, minha dor?
Outro tumulto se forma desta vez é um senhor que tentava parcelar sua as contas em atraso dentro de suas condições financeira, pois ele estava desempregado e só o salário de sua esposa não era suficiente para manter toda família e as contas em dia.
Era nove da manhã quando cheguei ao local em que eu estava e já passava do meio dia e ainda não tinha chegado a minha vez de ser atendida, quando eu já cansada de tanto esperar pensando em ir embora a meio tanto barulho ouço uma voz gritando: “71”.
Era minha vez de ser atendida. “setenta e um” sou eu. Mais um “numero”, mais um numero entre milhões de brasileiros que sonha por uma vida melhor. Mais um “numero”, na estatística, no censo, nas pesquisas eleitorais, nas listas de inadimplente desempregados. Eu e outros milhões de brasileiros somos apenas um numero.
Resolvido o meu problema depois de quatro horas de espera deixei aquele local com um nó na garganta, com uma sensação de vazio, como se eu não soubesse mais quem eu sou. É como se diante de tantos problemas, tantos descaso fossemos perdendo a nossa identidade, ficamos sem saber pra onde ir e por onde ir nem por onde começar ou recomeçar. Estamos perdidos no caos da mais pura realidade decadente: A desordem e o regresso. A única arma que temos nas mãos para combater este descaso é o voto, mas está arma já não funciona mais, já não sabemos mais em quem confiar... Não sei se há mais esperança.
Debaixo do sol quente caminhei até minha casa, mente vazia, pois não tinha mais no que pensar. Com tudo que presenciei cheguei à conclusão que entre os números, o povo pobre e humilde é visto pelos governantes como um “zero à esquerda” 


P.S:

Fecho meus olhos e vejo um mundo perfeito, onde todos vivem dignamente, onde todos possam ser felizes, com uma política honesta, com um país governado por aqueles que realmente se preocupa com os seus. Vejo justiça a todos, igualdade, um país sem miséria, mas...

“Às vezes tudo se ilumina de uma intensa irrealidade
E é como se agora este pobre, este único, este efêmero instante do mundo
Estivesse pintado numa tela,

Sempre...”
Mário Quintana

Ouvindo Biquini cavadão: Zé Ninguém
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16 de jul de 2010

Zero à esquerda = Zé ninguém


O futuro é a única coisa que o governo nos deixa usar de graça - até que ele chegue.
(Ediel)
Meus pensamentos me povoavam o tempo todo.
Ali estavam varias “Maria” e vários “João” pessoas insatisfeitas, para reclamar ou reivindicar seus direitos, uns com razão outros no desespero de não acreditar que saiam dali sem solucionar o problema. Pessoas humildes, simples, cidadãos empregados outros desempregados inconformados com os valores de suas contas de água, outros estavam tentando um acordo para parcelamento, eram varias as reclamações.
O ambiente pequeno estava cheio, não havia mais lugares para sentar. Gestante, idosos, “Maria” e “João” eram sós mais uns dos milhões de brasileiros que estavam ali tentando viver dignamente ou serem tratados como pessoas de bem.
Cada vez mais aquele espaço pequeno ficava apertado pra tanta gente, no rosto de cada uma delas eu via a marca do sofrimento e a esperança de uma solução. Vez ou outra uma puxavam assunto comigo e logo todos conversavam entre si, falavam de suas vidas de suas historias e o motivo delas estarem naquele lugar. Em quanto esperava se lamentavam e assim as horas iam passando.
A demora no atendimento me fez ficar horas em pé, com fome, cansada e impaciente com o calor infernal que fazia lá dentro. Eu era apenas mais uma entre tantos, com sonhos, esperança, uma historia pra contar e um problema a ser resolvido.
Uma discussão se forma. Uma senhora discutiu com um dos atendentes, no rosto dela vejo a indignação, no rosto dele o desdenho. A minha frente uma senhora desmaia devido o calor, ou seria fome, cansaço... Não sei. O tumulto se forma, fico estarrecida, estática, inconformada com a situação.
Como é difícil sobreviver com baixa renda, como é árdua a luta de um pai de família para poder garantir o sustento de sua família e o bem estar dela pagando suas contas em dia: água, luz, telefone, aluguel...
"Muitas vidas se alimentam de dor, a fome e desemprego humilham a todos, o povo pobre vive sem socorro e o que se vê e se nota é o desdenho do poder."
Pessoas morrem nas filas dos hospitais por falta de atendimento, outras moram em situações precárias, o salário mínimo mal dá para sobreviver. E quem não tem salário? Esses vivem à custa de esmolas que o governo oferece como a Bolsa família, Vale gás, Leve leite, etc. e ainda acham que está fazendo muito pelo povo.
O que o povo quer e o que o povo precisa é de emprego, moradia, de salário justo para manter a família com dignidade, no mínimo dignidade e no máximo seria em igualdade social para todos. Somos tratados como uns indigentes, uns vermes ou pobres coitados.
Aquela mulher que discutia com o atendente só queria que fossem de imediato ou sem muita espera religarem a água que havia sido cortada por falta de pagamento, pois diante sua situação ela foi obrigada a não pagar as contas e usou todo dinheiro para comprar medicamentos para seu filho que tem um câncer e com ajuda de vizinhos conseguiu  levantar o dinheiro colocando em dia as contas de água atrasadas, sendo assim ela estava ali para solicitar a ligação, mas só depois de 48 horas seria feito.
Impotente, vitima da hierarquia de um sistema falho e impreciso, humilhada por suas dificuldades, aquela senhora saiu aos prantos e inconformada. Desarmados na luta pela sobrevivência, acabamos nos expondo. Em um país que se diz democrático, nos deparamos diante as tantas burocracia.
Brasil país da copa de 2014!? É isso mesmo! Milhões serão gastos, enquanto isto o povo vive na “merda”.
Que importância tem para o brasileiro que mal consegue colocar comida na mesa ver seu país sediar uma copa, gastando milhões que poderia ser revertido em prol dele?

Que importância tem para aquela mulher que não pagou as contas para comprar remédios para seu filho doente de câncer, remédios estes que custam caros e não é dado pelo governo, ver seu país sediar uma copa do mundo?Vão comemorar o que?
Qual a importância que temos para o governo? É só observar a saúde publica a educação, e outras coisas mais que nos é oferecido, que vamos obter a resposta.
Esboço um sorriso indignado, quando vejo uma propaganda do governo ou algo semelhante em que no final há sempre aquela famosa frase “Orgulho de ser brasileiro”. Orgulho? Orgulho de quê? Quem se orgulha são eles, pois estão com suas contas bancarias recheado com seus gordos salários pago pelo dinheiro publico. Enquanto eles andam em seus carros importados blindados, nos sobra o transporte publico a maioria em situações precárias e em algumas cidades o preço da passagem chega a ser exorbitante. Enquanto eles frequentam os melhores restaurantes, come das melhores iguarias culinárias, o pobre coitado revira o lixão em busca de alimento.
Quem se orgulha de ser brasileiro, vendo todo dia na TV o descaso social? O orgulho de ser brasileiro é meu é seu ou é nosso? É deles! São eles que comem caviar e tomam champanhe em quanto ri da nossa cara. Enquanto vivem luxuosamente dão esmola ao povo com estes auxilio que eles chamam de programa do governo.
Quantos brasileiros se encontram na mesma situação que a minha naquele momento, naquele ambiente cheio, com vontade de gritar minha indignação, minha revolta, minha dor?
Outro tumulto se forma desta vez é um senhor que tentava parcelar sua as contas em atraso dentro de suas condições financeira, pois ele estava desempregado e só o salário de sua esposa não era suficiente para manter toda família e as contas em dia.
Era nove da manhã quando cheguei ao local em que eu estava e já passava do meio dia e ainda não tinha chegado a minha vez de ser atendida, quando eu já cansada de tanto esperar pensando em ir embora a meio tanto barulho ouço uma voz gritando: “71”.
Era minha vez de ser atendida. “setenta e um” sou eu. Mais um “numero”, mais um numero entre milhões de brasileiros que sonha por uma vida melhor. Mais um “numero”, na estatística, no censo, nas pesquisas eleitorais, nas listas de inadimplente desempregados. Eu e outros milhões de brasileiros somos apenas um numero.
Resolvido o meu problema depois de quatro horas de espera deixei aquele local com um nó na garganta, com uma sensação de vazio, como se eu não soubesse mais quem eu sou. É como se diante de tantos problemas, tantos descaso fossemos perdendo a nossa identidade, ficamos sem saber pra onde ir e por onde ir nem por onde começar ou recomeçar. Estamos perdidos no caos da mais pura realidade decadente: A desordem e o regresso. A única arma que temos nas mãos para combater este descaso é o voto, mas está arma já não funciona mais, já não sabemos mais em quem confiar... Não sei se há mais esperança.
Debaixo do sol quente caminhei até minha casa, mente vazia, pois não tinha mais no que pensar. Com tudo que presenciei cheguei à conclusão que entre os números, o povo pobre e humilde é visto pelos governantes como um “zero à esquerda” 


P.S:

Fecho meus olhos e vejo um mundo perfeito, onde todos vivem dignamente, onde todos possam ser felizes, com uma política honesta, com um país governado por aqueles que realmente se preocupa com os seus. Vejo justiça a todos, igualdade, um país sem miséria, mas...

“Às vezes tudo se ilumina de uma intensa irrealidade
E é como se agora este pobre, este único, este efêmero instante do mundo
Estivesse pintado numa tela,

Sempre...”
Mário Quintana

Ouvindo Biquini cavadão: Zé Ninguém
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